segunda-feira, abril 02, 2007
Sed non casta, tamen cauta...
Não sei por quanto tempo mais ainda vou me surpreender com o tamanho do abismo que nos sorve, nós que seremos governados, alimentados, tratados e entretidos por essas gerações de Beavis e Buttheads, ou quantas palavras gastas ainda hei de alinhavar deplorando os hábitos desses meus coevos, mas, gente, quanta estrumeira!
Bom, o móvel desse frisson de hoje é a, aham, matéria do Terra -- e sabe-se lá de quantas bobagens mais -- sobre um meigo desenho animado, daquele canal abobalhado que integra a grade da Net, que se propõe mostrar "técnicas de sedução" aos incautos. Meus caros, vejam lá o patético símile de moçoilas que pululam em nossa vilipendiada sociedade! Houve um tempo, quero crer que em fins da década de 1990, em que emular as gajas de vida airada tornou-se in, e, com isso, as mais despudoradas do gênero fizeram escola no trajo e no porte, e o mundo tornou-se impermeável à síndrome de Pigmalião e às My Fair Ladies d'antanho. Técnicas de sedução, quá! Veja as caras e bocas das criaturas e me diga se não bastam uns trinta contos de réis mais a "passagem do busão" para dar conta do recado...
quinta-feira, março 29, 2007
Ars gratia artis
Constatações incontornáveis -- III
"Todo fascismo tem seu colaboracionismo."
quarta-feira, março 28, 2007
Constatações incontornáveis -- II
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
terça-feira, fevereiro 13, 2007
O busílis, afinal!
Sim, meninos e meninas, como este escriba insignificante já advertira, em mais de uma ocasião, as grandes bestas do ocaso da Civilização Ocidental são mesmo as pestilências do relativismo, do "politicamente correto" (esse odioso encilhamento que tantos aceitam com total subserviência), da lassidão intelectual... O povo está esquecendo até dos imperativos categóricos, minha gente! (afinal, dirão, quem teve mandato reconhecido para determinar o que é categórico, universal, cogente, o diabo a quatro? E, pior, há tolos que nisso acreditam). E, para culminar, está aí mais um novo lugar-tenente nas infernais hostes da dissolução: os ditos "valores culturais alternativos"!
O inimigo, cujo nome é Legião, já se multiplica como as cabeças da Hidra de Lerna! A guerra está, claramente, perdida...
[N. do A.: pena começar o ano com post tão negativo, mas são os tempos, não o escriba, que ditam a pauta aqui...]
quarta-feira, dezembro 13, 2006
O melhor (e o mais frustrante) do ano
1. Música:
No universo pop, a melhor canção do ano vai para os Scissors Sisters, com "I Don’t Feel Like Dancing", com forte concorrência do Red Hot Chili Peppers ("Tell Me Baby") e Lilly Allen ("Smile"). Os runners-up incluem ainda Snow Patrol ("Chasing Cars"), Blue October ("Hate Me"), Basement Jaxx ("Take Me Home") e Muse ("Starlight").
Na música erudita, o que comprei e gostei mais foram os dois concertos para violoncelo, de Joseph Haydn, com interpretação de Jean-Guihen Queyras e a Freiburger Barockorchester.
A decepção do ano na música foi (shock and awe!) o sempre tão bom Sting e seu "Songs from the Labyrinth". Pensei: "Hmm, Sting tocando e cantando peças "elizabetanas" em alaúde, what’s not to like?", mas estava enganado. O resultado é chato de doer, principalmente pela elocução dele, que pareceu buscar o som pós-punk do Police. Uma frustração que só vendo!
2. Literatura
Li muita coisa interessante – o début do Houellebecq ("Extension du domaine de la lutte"), Claire Castillon ("Le Grenier"), as fixações de sempre (Borges e Eco, este com "Entre a Ironia e a Mentira", aqueles com os sempre lidos "Ficciones" e o "Libro de Arena"), acabei meus contos completos do Waugh (ah!), continuei não acabando a "Histoire de ma vie", do Casanova (two years and counting...), li umas quatro novelas do Ian Fleming (bom que só vendo, que coisa mais subestimada!), o primeiro Corto Maltese, do Pratt ("A Balada do Mar Salgado", e continuo preferindo os "Escorpiões do Deserto") e, afinal, dei cabo dos "Trinta Anos Esta Noite", do Paulo Francis. Acumularam-se para o ano vindouro uma biografia do Stálin, as obras completas do Fernando Pessoa, mais Casanova e umas coisinhas mais.
Disso tudo, acho que o melhor foi o Houellebecq, mesmo. Ainda não é tão bom, cáustico como nas partículas elementares, mas bem ao ponto na crítica da mediocridade do mundo moderno.
O mais so-so, digamos, foi a dona Castillon, que não convenceu com aquele troço esquisito de Mama Perle e Papa Whisky...
3. Comes & Bebes
Direto ao ponto! Melhor surpresa gustativa do ano: chocolate quente da confeitaria Gerbeaud, de Budapeste. Denso, escuro, forte, bom demais.
Maior frustração: a Sachertorte do Demel, em Viena. Atendimento péssimo (tá, mas isso "faz parte"), caro que só e aquela decepção de um bolinho seco e sem-vergonha, onde o damasco um dia foi uma tênue lembrança. Bom, vá lá, não fui conferir a do Hotel Sacher, mas tenho aqui a forte desconfiança de que seria outra ducha de água fria (brrrr!)
4. Brinquedinhos
Top of the pops: Sony Vaio e roteador wireless.
5. Vista
Melhor: Hofburg, Viena. Pior: Estação de trem em Praga.
6. Cinema
Não vi nada. O melhor certamente será o Casino Royale (expectativa mata?). Acho que a última vez em que gastei dinheiro para ver filme ruim foi com o Capitão Sky, em 2004. Filme ruim agora, só de graça, na televisão, ou em avião, de onde não dá para fugir.
7. Outros
Revista Piauí. Não chega a ser uma General, mas dá pro gasto. O pior nessa seara dispensa comentários.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Da série "nada está tão ruim que não possa piorar!"
Preciso comentar alguma coisa???? Depois disso, será o quê? Vanessa Camargo?
Façamos uma enquete, ora pois: quem você quer ver na próxima capa da RS brazuca?
terça-feira, novembro 07, 2006
Editorial wasteland...
Agora, o que é que temos??? Rolling Stone tupiniquim com Gisele Bündchen na capa! Taí, qual a diferença agora entre RS e Nova/Cosmopolitan?
Meninas e meninos, apertem os cintos: o fim só pode estar próximo!
domingo, outubro 08, 2006
Em Mohács
1. Cena típica da Hungria rural: pimentões secando ao sol, para mais tarde se transformarem no condimento "nacional", a páprica.

2. Este templo, no centro de Mohács, é um memorial à batalha travada contra os turcos em 29 de agosto de 1526, quando pereceu o rei Luís II, afogado num pequeno riacho durante a fuga de seu exército derrotado. Com isso, começou o domínio de 150 anos dos otomanos sobre a Hungria.
3. Estátua de um consternado Santo Estêvão, ao lado do templo da foto acima.

4. O Danúbio em Mohács. Uns dez quilômetros rio abaixo, na direção desta foto, está a fronteira com a Croácia.
terça-feira, outubro 03, 2006
Fotos. De novo!
1. Poste enfeitado na Országház útca, Cidade Velha.
2. Na Idade Média, a Táncsics Mihály útca, no extremo nordeste da Cidade Velha, era morada de judeus. Hoje, no número 26, existe um museu que exibe lápides encontradas no sítio de uma antiga sinagoga que existiu ali no século XV.

3. Detalhe do portão de uma das mansões da Úri útca ("rua dos lordes"). As casas dessa rua foram, originalmente, construídas por aristocratas e mercadores ricos. Muitas possuem fundações medievais. Destruídas em 1686 e 1944, passaram por intensa reconstrução na década de 1950.

4. Um guerreiro magiar: detalhe de uma das esculturas da fachada do Museu de História de Budapeste, no Castelo Real.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Enquanto isso, na zona eleitoral de Budapeste...
Pois é, só acaba quando termina...
domingo, outubro 01, 2006
E lá vão mais fotos...
1. Fonte do Rei Matias Corvino: situada no pátio noroeste do Palácio, a fonte, criada por Alajos Stróbl em 1904, mostra o rei renascentista Matias Corvino (Mátyás Corvinus), que reinou de 1458 a 1490. A imagem do rei liderando um grupo de caçadores ilustra um poema romântico de Mihály Vörösmarty, do século XIX, sobre o encontro do rei com a pastora Ilonka, que se apaixonam, comme il faut.

2. Estátua eqüestre do Príncipe Eugênio de Savóia: criada por József Róna, em 1900, fica no pátio oposto ao do grupo do Rei Matias, acima. Comemora a vitória das forças húngaro-austríacas sobre os otomanos na batalha de Zenta (1697), que assinala a mudança na sorte das Guerras Turcas do século XVII. Com efeito, dois prisioneiros turcos são mostrados aos pés do cavalo principesco (um apenas aparece na minha foto). Ao fundo, a cúpula neoclássica de Alajos Hauszmann, construída para substituir o domo neobarroco destroçado no embate entre os exércitos nazista e soviético, em 1944.

3. A grande ave Turul, na entrada do Palácio: criada para assinalar o milênio da conquista magiar do atual território húngaro, em 1896, essa estátua representa a mítica ave de rapina que conduziu os guerreiros magiares até as planícies do Danúbio.

4. Palácio Sándor: localizado na praça Szent György, na Cidade Velha, foi construído pelo Conde Vincent Sándor, em 1806, com projeto dos arquitetos Mihály Pollack e Johann Aman. Atualmente, é a residência do Presidente da República da Hungria. Na fachada oeste, abaixo da inscrição com a data, está o baixo-relevo dos deuses do Olimpo, obra dos escultores Richárd Török, Miklós Melocco e Tamás Körössényi.

