terça-feira, julho 30, 2013

Os Doze Trabalhos de Hércules: um hercúleo exercício estilístico (Intróito)

AH, POR UMA ígnea musa que açoite o pristino grão da facunda arte, que com os excelsos olores do Parnaso alumeie a prosa e, qual palinúrico mestre do bridão de Febo, guie a fremente e desastrada destra ante tão sobranceira empresa! Então, a alva lápide deste hodierno oráculo dignar-se-á, por Jove!, a tecer as loas do heráclida em crisólitos impolutos! Pois aquele que engendrou o concupiscível ventre de Alcmena gravou no imorredoiro regato da lenda, com marmórea lavra e agigantada glória, o insopitável fruto de seus doze trabalhos, tão...

Curioso! Encontrei este rascunho, datado de uns três anos e não faço idéia do que pretendia com ele! Provavelmente, apenas algo que nasceu de um devaneio sobre o célebre "O, for a muse of fire that would ascend the brightest heaven of invention..."

quarta-feira, abril 03, 2013

Manifesto do Cosmocrátor Imperial Supremo Vitalício

Artigo I, parágrafo único: Quando for, afinal, sagrado cosmocrátor supremo, prometo banir o imperativo "confira" das redes sociais pelo prazo mímimo de dois decênios.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Jorge Luis Borges

UMA VEZ MAIS, o Labirinto rende homenagem natalícia ao incomparável Jorge Luis Borges (24/08/1899 - 14/06/1986).
"I. Debo a la conjunción de un espejo y de una enciclopedia el descubrimiento de Uqbar. El espejo inquietaba el fondo de un corredor en una quinta de la calle Gaona, en Ramos Mejía; la enciclopedia falazmente se llama The Anglo-American Cyclopaedía (New York, 1917) y es una reimpresión literal, pero también morosa, de la Encyclopaedia Britannica de 1902. El hecho se produjo hará unos cinco años. (...)"
__________
"Tlön, Uqbar, Orbis Tertius", in "Ficciones" (1940).


quinta-feira, maio 17, 2012

Excerto do "Tawq al-hamama"

O SÁBIO ANDALUZ Abu Muhammad 'Ali ibn Ahmad ibn Sa'id ibn Hazm (Córdoba, 994 - Huelva, 1063), sentencia , nas páginas do Tawq al-hamama ("O Colar da Pomba", c. 1023):

O amor é um sofrimento rebelde, cujo remédio está em si próprio, caso saibamos curá-lo; mas trata-se de um sofrimento delicioso e de um mal desejável, ao ponto em que aquele de que lhe é privado renega a própria saúde, e aquele que o sofre não deseja curar-se. Torna belo aos olhos do homem o que antes o repugnava, e amaina o que antes lhe afigurava difícil, até o ponto de alterar o caráter inato e a natureza congênita.
___________
Apud. HERNÁNDEZ, Miguel Cruz. Storia del pensiero nel mondo islamico. Volume secondo. p. 465. Paideia, Brescia, 2000. Série Philosophica 4. (Tradução do Labirinto).

terça-feira, maio 15, 2012

Guilherme IX, Duque d'Aquitânia

Ab la dolçor del temps novel
folhon li bosc, e li aucel
chanton chascus en lor latí
segon lo vers del nòvel chan;
adonc està já qu’òm s’aisí
d’aissò dont òm a plus talan.
De lai don plus m’es já e bel
non vei messatger ni sagel,
per que mos cors non dorm ni ri,
ni no m’aus traire adenan,
tro que sacha já de la fi
s’el’ es aissí com eu deman.
La nostr’amor vai enaissí
com la brancha de l’albespí
qu’està sobre l’arbre en treman,
la noit, a la ploia ez al gel,
tro l’endeman, que ‘l sols s’espan
per las folhas vertz e ‘l ramel.
Enquer me membra d’un matí
que nos fezem de guerra fi,
e que.m donet un don tan gran:
sa drudaria e son anel:
enquer me lais Deus viure tan
qu’aja mas mans sotz son mantel!
Qu’eu non ai sonh d’estranh latí
que.m parta de mon Já Vezí:
qu’eu sai de paraulas com van
ab un brèu sermon que s’espel,
Que tals se van d’amor gaban,
Nos n’avem la pessa e ‘l coutel.

terça-feira, março 20, 2012

An excerpt

"Here, said the scribe, these two sigils mark the high authority of this ancient parchment, for each harks back to the Houses of Old -- major powers all of them. As a diligent pupil, one is expected to recognise how symbols such as the one you now behold are meant to be incised, with utmost reverence to their inherent majesty. Such matters are not to be taken lightly! Nonetheless, let us try once again, from the beginning, to reproduce the inscription as it was intended by our Revered Master. Here, take this stylus and this branch of narthex..."
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From the 'it-z'Ab 'al Mahlek, Chapter LXIII, c. II century.

terça-feira, dezembro 28, 2010

From a salvaged tome

On the seventh day of April,
in the year of that great battle
Between the lands of Azoth,
on the frozen North, and Agael,
of undaunted ships,
a troublesome dream came
to my tired Lord Asop.

In the grey, misty hours that
crept before the Sun rose,
his Lordship foresworn
aid and repose. And in his
glittering, caparizoned favourite horse
Rode, silent and troubled,
to the shores of the distant East.

From there, some say, he kept on marching
Either to the dark, steely sea,
Or to the stars that never set
beyond the last Thule of exalted fame.
And to this day, if asked about that day,
The fisherman of those lands reply
with a stern look, and a gentle
touch to the tip of their greased beards,
while, above their masts,
seagulls shriek while flying in ample circles.

So it is recorded on the last page of the
annals of the zingi, compiled, by
unknown scribes, towards the sixteenth year
of the great plague.

With Borges (an excerpt)

"FOR BORGES, THE core of reality lay in books; reading books, writing books, talking about books. In a visceral way, he was conscious of continuing a dialogue begun thousands of years before and which he believed would never end. Books restored the past. 'In time,' he said to me, 'every poem becomes an elegy.' He had no patience with faddish literary theories and blamed French literature in particular for concentrating not on books but on schools and côteries. Adolfo Bioy Casares once told me that Borges was the only men he knew who, concerning literature, 'never gave in to convention, custom or laziness'. He was a haphazard reader who felt content, at times, with plot summaries and articles in encyclopaedias, and who confessed that, even though he had never finished Finnegans Wake, he happily lectured on Joyce's linguistic monument. He never felt obliged to read a book down to the last page. His library (which like that of every other reader was also his autobiography) reflected his belief in chance and the rules of anarchy. 'I am a pleasure-seeking reader: I've never allowed my sense of duty to have a hand in such a personal matter as that of buying books.'"
__________
MANGUEL, Alberto. 'With Borges'. London, Telegram, 2006. p. 31-32.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Almanacco Perpetuo di Rutilio Benincasa Cosentino

Parte I dell' Almanacco Perpetuo (Venezia, 1754).

Tratatto VII. d'Istorie, e Curiosità.
Discorso di molte cose curiose successe di tempo in tempo nel Mondo, cap. IV.
(...)
Seguono altre cose notabili. cap. V. (p. 304)

(...)
1498. In Milano si viddero tre Soli, e di notte molti Uomini a Cavallo scorrer per l'aria, e anco molte statue andare attorno, e combatter ìnsieme, e una donna partorì due creature maschio, e femmina attaccate insieme, ch'avean 4. gambe e 4. braccia ciascun' d'essi. In Germania nacque un fanciullo con due teste, quattro mani, e 6. orecchie, e una donna essendo stata dieci anni con il marito diventò uomo.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Torna Eco

MUITO APRAZ A ESTE cronista registrar que, na semana passada, veio à lume o sexto romance do "più noto" semiólogo italiano, Umberto Eco! Intitulado "Il Cimitero di Praga", o livro narra as peripécias de um falsário de documentos na segunda metade do século XIX, bem como o surgimento dos famigerados "Protocolos dos Sábios de Sião".

segunda-feira, maio 17, 2010

Mme. Nothomb et moi

O LEITOR IDEAL DESTE blógue (que não sou eu, já que nem mesmo reconheço o que escrevi aqui nos tempos da sopa primordial) recordar-se-á que escrevi sobre Amélie Nothomb aqui, aqui, aqui e aqui. Muito bem! Eis que, afinal, encontrei a autora em carne e osso, na sexta-feira, 14 de maio, por ocasião de uma sessão de autógrafos organizada pela Libreria Fanucci, em Roma (convenientemente localizada a uns 100 metros da repartição -- aliás, soube do evento ao ver um pôster com a foto da Amélie, passando em frente, de dentro do carro...).

Muito simpática, Amélie Nothomb ouviu de mim que sou, mui provavelmente, um de seus mais fiéis leitores na Terra de Santa Cruz, o que comprovei mostrando a ela a biografia escrita por Laureline Amanieux (muito boa, segundo a biografada), que comprei em Bruxelas, em 2007, e os três últimos livros, que levei para ela autografar (na verdade, levei quatro, mas fiquei com vergonha de abusar da paciência dos demais leitores que aguardavam a vez!).

terça-feira, março 23, 2010

Exactor molestissimus

XXII. M. POMPONIUS MARCELLUS, sermonis Latini exactor molestissimus, in advocatione quadam (nam interdum et causas agebat) soloecismum ab adversario factum usque adeo arguere perseveravit, quoad Cassius Severus, interpellatis iudicibus, dilationem petiit, ut litigator suus alium grammaticum adhiberet; quando non putat is cum adversario de iure sibi, sed de soloecismo controversiam futuram. Hic idem, cum ex oratione Tiberi verbum reprehendisset, affiramnte Ateio Capitone, et esse illud Latinum, et si non esset, futurum certe iam inde: "Mentitur," inquit, "Capito; tu enim, Caesar, civitatem dare potes hominibus, verbo non potes." (...)
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Apud. Suetonius, De Viris Illustribus: Grammatici.