Mostrando postagens com marcador O passado reescrito por chimpanzés hidrófobos.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O passado reescrito por chimpanzés hidrófobos.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Caronica ramirana (sec. IX): um fragmento

XII

"... e houve, naquelle tempo, ua gran carestia & fomme por todo o Reyno, e como perecessem de ugual sorte muytos Ffidalgos & meeiros, muytas Dõzelas de cellebrada virtude et gentes d'arrayamenuda, et todo o povo do logar orava et pedia ao Sennõr por graça, louvado sea Nosso Seõr Jesus Cristo, houve por bem El-Rey tener en paço seos cõcelheiros e lles disse; a'questo oyde, grandos baroens do Paço [...] de muytas leguas saom vossos Feodos, granda vossa munificaencya et sempre pienna vossas algibaeiras. Conquanto seais domnos d'el Reyno, deo gratias, videmus nunc per speculum et in aenigmate & vos digo gran el pesar dellos fillios do Senõr, co'esta famme faze murir las gentes et vedra dies irae quando amactarom os barõens & praefeitos do Paço; gran a vossa cobijça et malefacciones [...] quod arrabia el povo. [...]. Et dixit el muy aogusto barom d'Almeira, [...] amactavaom, peor [domnus vobiscum...]. El-Rey tomado de gran furor mandoouo flagelar et per las espadoas tirar el coraçom et il popolus [...] gaudet."

quinta-feira, agosto 13, 2009

Mirabilia Teverensis

HÁ, ENTRE OS muitos epigramas, curiosidades e outros disjecta membra anotados por Ambrósio Canneta, naquele curiosíssimo opúsculo intitulado, com certa jactância, De Rerum Mirabilium ad locum Tevereae, numinosae visionaem, inauditaem creaturam, prodigius mostrum et quod tanta vulgo sapientiae dixi(t) paernosticam dictamen (Roma, 1567), o celebérrimo relato de que, sob o efêmero pontificado de Severino, em data que Norberto de Cuma aponta como julho de 640, pescadores encontraram, nas margens do Tibre, uma tartaruga em cujo casco podia-se apenas vislumbrar os vagos traçados duma grafia inaudita, antediluviana. O animal foi trazido, com pio assombro, aos clérigos da cidade ("cum sancta doctrina et illuminata visio", lemos no afetado estilo de Canneta), que, incapazes de decifrar as runas ali entalhadas, houveram por bem rezar uma missa antes de conduzir o mirífico espécime às mui industriosas cozinhas de São Pedro, onde o casco foi partido e deitado fora, para que a carne pudesse dar sabor à cardinalícia sopa de uma noite estiva qualquer.

terça-feira, julho 07, 2009

GBS dixit

ANOTEM AÍ:

"THE fish wants to fly, and the bird to swim."

Ou, mais adiante (1):

"You cannot want a thing and have it, too."

Na soleira do bar do Jeremias, no Muquém, seu Amarildo ripostava, solerte e sentencioso:

"É, seu Jeremias... Deus num dá asa a cobra..."
________________
(1) Apud. HENDERSON, Archibald. George Bernard Shaw : His life and works, a critical biography. Kessinger, 2004. p. 31.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Da origem do ramo tebano do culto eleático

MASENFER CITA, EM Die Kenntnisse von Einfachen Tatsachen im Oberen Livland (Leipzig, 1764) que os primeiros testemunhos acerca da crença em uma ramificação dita "tebana" do rito eleático encontravam-se nos dois primeiros livros, hoje perdidos, de Eudóxio de Tessalônica. Essa tese, refutada com veemência por Wischard (Rechnungen von Frühen Reisenden in Akkad, Bonn, 1817) e, mais recentemente por J.M. Woolsville (Secret Knowledge of Ancient Sumerian Midwives, Oxford, 1904), parece, todavia, fundamentar-se nas evidências trazidas à lume pelas escavações de Sir Flinders Petrie e do Padre Atanasius Moran.

De todo modo, tal ramo, hoje mais ou menos consagrado na literatura especializada, caracterizava-se pela observância -- rígida, conquanto regionalizada -- da fetichização de objetos "mágicos", dentre os quais um fragmento da escápula destra de galinhas e maxilares de javalis. Tais fetiches, na douta opinião de Masenfer, denotam o elevado grau de sincretismo do culto tebano com as práticas dos seguidores de Hécate. Com efeito, a "selenolatria" do rito tebano é fartamente documentada, já nos albores do século II EV, nas epístolas de Simeão da Tarragona. Não obstante tal evidência, Wischard e Woolsville apontam correlações mais recentes com o apogeu do culto mitraico durante o governo de Heliogábalo. Para esses estudiosos, a origem siríaca do fenômeno é nítida, bem como a datação de seu surgimento em terras européias, por volta do período de turbulências que se segue ao assassínio de Pertinax.

Como prova concludente de sua teoria, ambos apresentam o texto de uma tabuinha, gravada com uma espécie de escrita cuneiforme, encontrada por Schliemann nas imediações da Tebas histórica, em 1872.